terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A CULPA É DA GESTÃO PASSADA


A cada quatro anos, temos em nosso país a troca ou não da administração pública, seja na esfera municipal, estadual ou federal. E durante essas mudanças de poder parece que o discurso de quem substitui uma administração de partidos diferentes é sempre o mesmo.
Quando temos a troca de administração, que sempre ocorrem de dezembro para janeiro nos finais dos anos de eleição, sempre temos por parte dos administradores, seja presidente, governador, prefeitos, ministros ou secretários, sempre o mesmo discurso em face alguma coisa errada na administração pública que é: - “a culpa é da gestão passada”.
Estamos cansados de ouvir e ver os administradores públicos substituírem outros administradores e sempre vir a público com o discurso de colocar a culpa no outro. Estamos com uma crise de dengue – culpa da gestão passada; temos muitos buracos na via – culpa da administração passada; falta de professores nas escolas – culpa da administração passada; e por ai vai.
Tais discursos têm uma tonalidade, conotação e sentido de que a fala do administrador público fosse como se realmente quisesse ser assim: - “e eu ai com isso? Não é problema meu”.
Ocorre que ao se lançarem candidatos para as eleições, no intuito de serem eleitos para administrar o bem público, os bons candidatos fazem um levantamento dos problemas e situações sejam do município, estado ou federação, para traçarem seus planos de governo.
Através desse levantamento, passam a fazer promessas de campanhas, como: - vou melhorar isso, vou fazer isso, isso não vai acontecer na minha administração; ta vendo isso? Vou fazer melhor; e por ai vai.
Porém, assim que assumem essas responsabilidades prometidas, parece que a primeira a coisa a se fazer e se eximir de sua nova responsabilidade. E qual a melhor saída para isso? Colocar a culpa na administração passada. É a melhor forma e parece ser a mais fácil de ser engolida pela população.
A administração pública possui princípios Constitucionais descritos no artigo 37 da Constituição Federal, e que todo e qualquer gestor ou administrador público, que se habilita, seja nomeado ou eleito, deveria saber de cor e salteado.
Com base nesses princípios, o cidadão experto e atento, deveria questionar os seus novos governantes que se excussão de sua responsabilidade com discursos prontos e baratos: - se sabiam dos problemas porque não os corrigem com eficácia?
Ora, se todo candidato aspirante a administração pública sabe dos problemas, pesquisa para sua campanha, faz planos de governo, porque quando assumem passam a querer se eximir de suas responsabilidades?
A administração pública exige continuísmo, isso deve ser sempre de qualidade, por isso pouco importo de administração passada ou administração atual tem culpa no cartório, o que é de interesse público tem que ser feito e pronto.
Quem se habilita a gerir um negócio (âmbito da administração pública) deve assumir os riscos que advém dela. Assim um administrador público que se preze, deve, em casos em que há o erro, concertar os erros do seu antecessor e procurar ser o melhor.
E caso ocorra erros muito graves, a lei de Responsabilidade Fiscal está ai para ser cumprida, basta que o novo administrador com a ajuda do Ministério Público, esclareça as falcatruas a irresponsabilidades do antigo gestor.
Talvez o discurso mais eficaz para um bom gestor público seria: - “as coisas foram feitas erradas, mas estamos tomando as providências que cabem a nossa gestão para refazer ou arrumar”.
Chega de discursos baratos, a administração pública deve ser tratada com mais responsabilidade e seriedade, em prol dos interesses públicos, obedecendo a seus princípios e em busca de excelência e qualidade.

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