segunda-feira, 22 de julho de 2013

O PIANO E EU

O Piano e eu

Diz minha mãe que quando era pequeno, entre os meus quatro e cinco anos de idade, ao escutar o som do Piano ficava admirado, e falava pra ela que queria aprender a tocar piano.
Lembro que meu pai tinha umas fitas K7 do Richard Clayderman (pianista francês) e adorava ficar ouvindo aquelas músicas.
Segundo minha mãe eu vivia pedindo um piano de presente, até que ganhei um piano de brinquedo. Ele era de madeira clara, tinha entre três a quatro oitavas (notas que compõe o piano) e dentro continha uns ferros que produziam as notas musicais.

(Foto – parecido com meu piano)

Na época em que ganhei o piano, passava um desenho na televisão, muito conhecido, chamado Snoop. No desenho existia um personagem que se chamava “Schroeder”, ele tocava sempre seu piano solitário. As vezes sobre o piano existia uma estatua do Beethoven e as vezes uma menina que chamava “Lucy” ficava admirando ele tocar.
Eu gostava daquele personagem, admira o som do piano dele, e queria de certo modo ser igual a ele.
(Foto – Schroeder e Snoop)

Eu sentava no meu piano de brinquedo e colocava as fitas k7 do Richard Clayderman e ficava tirando de ouvido as músicas. Não era nenhuma perfeição, mas chegava próximo a tom musical.
Isso chamou a atenção dos meus pais, só que como tinha seis anos de idade, ainda não sabia ler e escrever, não poderia aprender música. Então minha mãe procurou uma professora de piano que topasse a ideia de ensinar uma criança ainda iletrada.
Uma professora (minha primeira professora) chamada Josiane comprou a ideia de ensinar música, porque ela tinha um método de ensino diferente.
O método era assimilar as notas musicais com imagens, e colocando as notas na pauta e com a ajuda de imagens eu ia assimilando a notas.
Era mais ou menos assim, as notas do era a imagem de um doce (bombom), o ré era uma régua, o mi um gato (de miau – som do gato), o fá uma faca, o sol o próprio sol, o lá uma laranja e o si um sino.
 (Foto – método de estudo)

Desta forma a música entrou em minha vida, tomou minha corrente sanguínea e nunca mais me abandonou.
Depois da Josiane, passaram as professoras Dona Janini e a última a Cássia, está ultima quem me evoluiu nos estudos de música e piano.
Dos meus seis aos quinze anos de idade participava sempre das audições de final de ano, tocando sozinho, ou em quatro mãos com amigos e amigas e com minha irmã.
Era gostoso se apresentar para as pessoas, tinha um friozinho na barriga, mas eram gratificantes os aplausos ao final.
Quando me sentava ao piano, me sentia num mundo único, um mundo só meu, o mundo da música, esquecia de tudo que estava ao meu redor, me sentia realizado e feliz em poder tocar aquele instrumento.
Já mais velho ganhei um teclado dos meus pais, foi um dos melhores presentes que já ganhei. Ele passou a me ajudar nos estudo e também a passar a tocar outros tipos de música, inclusive a pensar em tocar em uma banda.
Recordo-me de alguns natais em família, que tocava algumas musicas para meus familiares.
Mas quis o destino me afastar da música, ou me mostrar outros prazeres e caminhos a ser percorridos em relação a ela.
Quando mudei de cidade parei os estudos, meu teclado passou a ser um hobby cada vez mais distante, ficando ali num canto guardado, empoeirado.
Outro instrumento entrou na minha vida, o violão, me ensinando uma nova maneira de ver a música. O contato com o violão veio dos novos amigos, das rodas de música em volta do violão.
O violão passou a ser grande fonte de inspiração e de desejo. Aquele simples gesto de tocar em uma roda de amigos me fazia sentir realizado, como nas audições de final de ano do piano.
Me arrisquei até na composição de músicas, e depois acabei me arriscando na guitarra devido ao violão. Tocava músicas de bandas favoritas e outras nem tanto, mas tudo pra estar ali numa roda de violão.
O estudo do violão foi autodidata, uma vez que já tinha conhecimento da música por causa do piano, ai então só foi adaptar e conhecer o violão e guitarra.
Porém um dia troquei meu teclado por um outro de melhor qualidade, e de novo a música e o som do piano passaram a pulsar nas minhas veias. Voltei sozinho aos estudos do teclado e cheguei a me arriscar com alguns amigos numa tentativa de montar uma banda.
Quis o destino que me reencontra-se novamente com o piano. Na época da escola do segundo grau, surgiu para nossa turma uma oportunidade de associar estudos ao teatro, numa interpretação da Semana da Arte Moderna (Semana de 22).
Na ocasião interpretei Vila Lobos, e a escola me proporcionou tocar novamente o piano para uma plateia. Passei algumas semanas tento aulas uma escola de música e me preparando para interpretação de Vila Lobos no teatro.
A Peça foi no Teatro Jorge Amado em Salvador/BA e foi um momento marcante em minha vida, além do meu personagem ter algumas falas, ainda tocava piano a todos da plateia. Sentia-me naquele mundo de novo, feliz em poder toca o piano para tanta gente.
Também foi minha ultima interpretação no Piano.
De lá pra cá, mudamos de cidade, passamos por dificuldades, vendi meu teclado e guitarra para pagar a faculdade, só me sobrou o velho e bom violão.
O trabalho tomou minha vida e a música de mim foi ficando distante, apenas aquela dos rádios e CDs.
Hoje sinto falta do meu piano de brinquedo, falta daquele mundo que entrava e esquecia dos meus problemas, daquele mundo da musica que tanto amo e me faz feliz.
Amo a música, e que nem diz uma pessoa querida: - essa tal de música pega e não larga mesmo.


“Milhares de pessoas cultivam a música; poucas porém têm a revelação dessa grande arte” (Ludiwig Beethoven).
“A música exprime a mais alta filosofia numa linguagem que a razão não compreende” (Arthur Schopenhauer).
"Quis escrever músicas que fizessem as pessoas sentirem-se bem. Música que ajuda e cura, porque eu acredito que a música é a voz de Deus." (Brian Wilson).
"Eu nasci com a música dentro de mim. Ela me era tão necessária quanto a comida ou a água." (Ray Charles)

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